Desde que me mudei para Berlim em 2022, a vontade de explorar mais cidades pela Alemanha voltou com força total. Em 2012, quando eu morava aqui como estudante, eu tinha um tíquete de transporte estudantil que me permitia viajar livremente dentro do estado e foi assim que conheci dezenas de cidades. Agora, sem esse benefício, imaginei que minhas aventuras pelo interior alemão demorariam mais para acontecer, já que o famoso Deutschland Ticket ainda não havia sido lançado.
Mas, para minha surpresa (e felicidade!), as zonas de transporte de Berlim abrangem várias cidades ao redor. E isso reacendeu meu desejo de fazer pequenos bate-voltas para conhecer as vizinhanças. Olhei o mapa, marquei alguns destinos acessíveis pelo trem S-Bahn e escolhi duas cidades para começar: Teltow e Königs Wusterhausen. É sobre elas que quero falar hoje, compartilhando minhas impressões sinceras e dicas para quem também quer explorá-las.
Teltow: onde o Muro de Berlim deu lugar a cerejeiras
A primeira parada foi Teltow, localizada ao sudeste de Berlim e facilmente acessível pelo trem S25. A viagem leva cerca de 45 minutos a partir do centro, e eu fui cheia de expectativas, sonhando com algum charme escondido ou um centro histórico cheio de personalidade.
Logo ao chegar, porém, percebi que Teltow é uma cidade bastante tranquila — para não dizer parada. O grande destaque turístico dali é, sem dúvida, a Alameda das Cerejeiras (TV-Asahi-Kirschblütenallee). Esse caminho florido ocupa exatamente o trecho onde um dia o Muro de Berlim dividia a cidade. Foi um presente da população japonesa para celebrar a reunificação alemã, promovido por um canal de TV (por isso o nome) Hoje, entre abril e maio, as cerejeiras transformam o local num espetáculo cor-de-rosa que atrai milhares de visitantes, fotógrafos, moradores e curiosos. É realmente lindo, especialmente quando o clima ajuda.
Logo ao lado, um enorme campo de canola colore tudo de amarelo intenso durante a primavera. Eu, como boa “guria de apartamento”, fiquei encantada por ver algo tão rural e tão vibrante tão perto de uma metrópole como Berlim.
Mas a verdade é que, fora esses dois pontos, Teltow não oferece muito mais ao visitante. Caminhar pelo centro antigo me deu uma sensação de vazio e até um pouco de desolação: ruas silenciosas, poucas pessoas na rua e muitos prédios históricos que já não existem mais. Grande parte da arquitetura antiga foi destruída durante os anos de domínio soviético, já que Teltow pertenceu à Alemanha Oriental (DDR).
Por isso, sendo bem honesta: não recomendo ir até Teltow apenas para conhecer a cidade. Vale a pena durante a floração das cerejeiras — e aí sim, o passeio compensa. Fora desse período, talvez não seja o melhor bate-volta saindo de Berlim.
Königs Wusterhausen: do castelo de caça ao berço da rádio alemã
Minha segunda escolha foi Königs Wusterhausen, e essa já me empolgou mais desde o início. Descobri que ali aconteceu a primeira transmissão de rádio da Alemanha, na década de 1920, em uma área chamada Funkenberg. Como amo história, tecnologia e curiosidades, isso já foi motivo suficiente para me deixar animada.
A cidade também é acessível pelo trem, dessa vez o S46, saindo de Berlim. E, assim como Teltow, é um lugar pequeno, limpo, organizado… e bem tranquilo. Quase demais.
O principal ponto turístico é o Schloss Königs Wusterhausen, o castelo de caça usado pelo rei Frederico Guilherme I, conhecido como o “Rei Soldado”. Diferente dos palácios grandiosos que seu pai mandou construir em Potsdam e Berlim, este castelo é simples e sem ostentação — exatamente como o rei preferia. Ele queria um local para descansar, ficar longe do luxo e dedicar-se ao seu hobby favorito: a caça.
O parque ao redor do castelo é, na minha opinião, o ponto alto da visita. Um espaço super agradável, com gramados impecáveis, árvores antigas e um pequeno córrego que deixa tudo com um clima de tranquilidade.
Depois segui até o Funkenberg, onde ocorreu a primeira transmissão de rádio. Hoje, o local está fechado para reformas, pois está sendo preparado para receber um memorial expositivo no futuro. A antena original não existe mais, mas a estrutura atual já dá uma boa ideia da importância histórica dali. Para quem gosta de tecnologia, comunicação e história, pode ser uma visita interessante — mesmo sem a visita interna.
Vale a pena visitar Teltow e Königs Wusterhausen?
Se você mora em Berlim ou está passando alguns dias na cidade e quer explorar lugares menos óbvios, esses bate-voltas podem ser interessantes, mas não recomendo caso sejam os únicos destinos que você tem tempo de visitar. Neste outro artigo falo de 5 cidades super interessantes para um bate e volta de Berlim, e outras 5 que não valem a pena.
Caso queira ver um pouco mais dessas cidades, eu gravei vídeos mostrando minhas visitas e deixo eles aqui para você conferir e tirar suas próprias conclusões!