Rügen: roteiro de 3 dias pela maior ilha da Alemanha entre falésias, praias e vilarejos encantadores

Quando pensamos em turismo na Alemanha, normalmente vêm à mente cidades como Berlim, Munique ou Hamburgo. Talvez você imagine as famosas casas em enxaimel, castelos e mercados de Natal. Mas existe um lado completamente diferente do país que pouca gente conhece: a costa do Mar Báltico.

Foi justamente em busca dessa Alemanha menos óbvia que eu viajei para Rügen, a maior ilha do país. Durante três dias explorei algumas das suas principais atrações, passando pelas cidades de Sassnitz, Sellin e Binz. Entre falésias impressionantes, praias de areia branca e construções históricas à beira-mar, descobri um dos lugares mais surpreendentes que já visitei na Alemanha.

Como chegar à ilha de Rügen saindo de Berlim

Eu escolhi me hospedar em Sassnitz por oferecer uma boa relação custo-benefício e fácil acesso por transporte público.

Saindo de Berlim, a viagem foi bastante simples: peguei dois trens regionais (RE5 e o R9), fazendo apenas uma troca em Stralsund (que ja visitei no ano passado e contei aqui), a última cidade na parte continental antes da ponte que liga o continente à ilha. Importante lembrar que usei meu Deutschland Ticket para não gastar nada a mais pelo trajeto.

A viagem já vale a pena pelas paisagens do norte da Alemanha, muito diferentes das regiões mais conhecidas pelos turistas estrangeiros.

Sassnitz: a cidade portuária e porta de entrada para as falésias de giz

Minha base na ilha foi Sassnitz, uma cidade de aproximadamente 9 mil habitantes localizada na costa nordeste de Rügen.

Originalmente uma vila de pescadores, Sassnitz ganhou importância no final do século XIX com a construção do porto e passou a se desenvolver também como destino de veraneio. Durante muitos anos, foi um dos principais pontos de ligação marítima entre Alemanha e Suécia.

O que chama atenção logo de início são as elegantes construções brancas em estilo balneário, típicas das estâncias turísticas alemãs do início do século XX. Muitas delas hoje funcionam como hotéis e pousadas.

Mas a grande atração da cidade está logo ao lado.

Parque Nacional de Jasmund e as famosas falésias de giz

O principal motivo da minha visita a Sassnitz era conhecer o Parque Nacional de Jasmund.

Ali estão as famosas falésias de giz da costa de Rügen, conhecidas em alemão como Kreideküste. São formações geológicas impressionantes que se erguem sobre as águas azul-esverdeadas do Mar Báltico.

Esses paredões de calcário foram moldados durante a Era do Gelo e formam uma das paisagens naturais mais bonitas da Alemanha. Em 2011, a área foi reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO.

Muitas pessoas optam por percorrer as trilhas dentro da floresta para chegar aos mirantes. Eu preferi fazer um passeio de barco, pois dessa forma é possível admirar as falésias de frente, a partir do mar.

Se você estiver planejando sua visita, minha recomendação é escolher o passeio mais curto, focado apenas nas falésias. Eu fiz um trajeto mais longo até a região do Cabo Arkona, mas o barco ficava muito distante para aproveitar bem a vista.

Explorando Sassnitz além das falésias

Depois do passeio de barco, aproveitei para caminhar pela cidade.

Passei pela antiga casa de banhos, que atualmente abriga a prefeitura, visitei monumentos históricos e explorei ruas mais afastadas da região portuária.

O clima tranquilo de cidade de veraneio está presente em todos os cantos. Como a parte central da cidade fica em uma área elevada, existem diversas escadarias e passarelas suspensas que ajudam na circulação entre o porto e os bairros mais altos.

Próximo à antiga estação hidroviária encontrei ainda uma roda-gigante e um antigo submarino britânico transformado em museu.

E claro, não resisti a testar a temperatura da água do Mar Báltico. Mesmo durante a primavera, a água estava congelante.

Sellin: o balneário mais elegante da ilha

No segundo dia resolvi explorar outra parte de Rügen.

Descobri que havia um barco ligando Sassnitz a Sellin e decidi fazer o trajeto pelo mar. A chegada já é uma atração por si só.

O barco atraca junto à famosa Seebrücke Sellin, um elegante píer construído originalmente em 1906. Sua arquitetura é um dos cartões-postais mais conhecidos da ilha.

No final do píer funciona um restaurante e espaço para eventos, tudo em perfeito estilo das antigas estâncias balneárias alemãs.

Mas o que mais despertou minha curiosidade foi uma atração bastante diferente.

Seebrücke Sellin
Seebrücke Sellin

A cápsula submarina de Sellin

Na extremidade do píer fica a Tauchgondel, uma cápsula de mergulho que leva visitantes para observar o fundo do Mar Báltico.

Durante aproximadamente 45 minutos, os participantes descem alguns metros abaixo da superfície enquanto assistem a uma aula sobre a biodiversidade local.

A água possui uma coloração esverdeada devido à grande presença de algas e à baixa salinidade. Como o Mar Báltico é considerado um mar de águas mistas, diversas espécies típicas de água doce conseguem viver ali.

Foi uma experiência interessante e diferente de qualquer outra atração que já visitei na Alemanha.

Tauchgondel sellin
Tauchgondel Sellin

Sellin: charme, boutiques e turismo de luxo

Além do píer, Sellin possui uma longa avenida cercada por construções históricas muito bem preservadas.

O que mais me chamou atenção foi o perfil dos visitantes. A cidade possui muitas boutiques, lojas sofisticadas e uma atmosfera de ostentação.

O acesso por transporte público não é dos mais simples. Existe apenas uma linha de ônibus conectando a cidade ao restante da ilha, enquanto o acesso por barco é limitado e relativamente caro.

Ficou claro para mim que Sellin foi pensada principalmente para visitantes que chegam de carro.

Binz: a praia mais bonita que encontrei na Alemanha

Após passar a manhã em Sellin, peguei um ônibus para Binz, a apenas 20 minutos de distância.

E preciso confessar: foi amor à primeira vista.

Binz possui uma extensa faixa de areia branca e macia, águas cristalinas em tons de verde claro e uma atmosfera muito agradável.

O enorme calçadão à beira-mar é cercado por hotéis históricos, cafés e restaurantes. Apesar de ter apenas cerca de 5 mil habitantes, a cidade ultrapassa facilmente os 20 mil visitantes durante a alta temporada.

Eu não esperava encontrar uma praia tão bonita na Alemanha!

Binz Rügen
a bela praia de Binz

Uma surpresa chamada Mar Báltico

Depois da experiência congelante em Sassnitz, resolvi testar novamente a temperatura da água.

Para minha surpresa, o mar em Binz estava muito mais agradável.

O dia tinha máxima de cerca de 20°C e bastante vento, então eu nem havia levado roupa de banho. Mas, sinceramente, me arrependi, pois a água estava convidativa, a areia era extremamente macia e o cenário lembrava muito algumas praias brasileiras.

Foi um daqueles lugares que fazem você querer voltar apenas para passar mais tempo aproveitando.

O perrengue do transporte público em Rügen

Nem tudo foi perfeito durante a viagem: o maior desafio aconteceu justamente na hora de voltar de Binz para Sassnitz.

Um acidente bloqueou uma das estradas principais da ilha e o sistema de informações do transporte público simplesmente não acompanhou a situação. Passei horas esperando ônibus que apareciam nos aplicativos, mas nunca chegavam.

Acabei caminhando até a estação de trem, onde a situação continuava confusa.

Foi um daqueles momentos clássicos de viagem em que o planejamento perfeito encontra a realidade.

Apesar do transtorno, a beleza da ilha compensou totalmente o perrengue.

O que comer em Rügen

Como em toda a costa do Mar Báltico, os peixes dominam a gastronomia local.

Durante a viagem experimentei diversas especialidades regionais, incluindo os tradicionais Fischbrötchen, os famosos sanduíches de peixe muito populares no norte da Alemanha.

Também provei Fish and Chips e diferentes preparações de arenque e matjes.

O destaque gastronômico ficou para um delicioso filé de peixe com crosta de amendoim servido no restaurante do píer de Sellin.

fischbrötchen
fischbrötchen: sanduiches de peixe defumado

Onde me hospedei em Sassnitz

Minha escolha foi o Rügen Hotel Sassnitz pelo custo benefício e localização.

O local é excelente para quem chega de trem, ficando próxima ao porto e às principais atrações da cidade.

Os quartos são confortáveis e o café da manhã foi um dos melhores que já encontrei em hotéis dessa categoria.

O ponto alto, sem dúvida, é o restaurante panorâmico no último andar, que oferece uma vista incrível da cidade e do mar, é lá que é servido o café da manhã.

Vale a pena visitar Rügen?

Sem dúvida nenhuma!

Rügen me mostrou um lado da Alemanha que eu nunca tinha imaginado encontrar.

As falésias de giz do Parque Nacional de Jasmund, as praias de águas cristalinas, os elegantes balneários históricos e a tranquilidade do Mar Báltico criam uma combinação única.

É exatamente esse tipo de destino que me faz continuar explorando a Alemanha além dos roteiros tradicionais.

Quando eu voltar, provavelmente vou escolher Binz como base para a viagem.

A ilha é muito maior do que os lugares que consegui conhecer em três dias, mas essa primeira experiência já foi suficiente para me fazer querer retornar.

E você, já conhecia Rügen? Já imaginava que existiam praias e paisagens assim na Alemanha? Me conte nos comentários!

E deixo aqui o vídeo com as imagens desse lugar belíssimo!

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