3 cidades alemãs que me surpreenderam (e que quase ninguém coloca no roteiro)

Depois de visitar mais de 80 cidades na Alemanha, percebi uma coisa: algumas das melhores experiências de viagem acontecem justamente nos lugares que raramente aparecem nas listas mais famosas.

Quando pensamos em turismo na Alemanha, nomes como Berlim, Munique, Colônia ou Hamburgo costumam dominar os roteiros. E não é por acaso, são cidades incríveis e cheias de atrações. Mas existe uma Alemanha menos conhecida, repleta de história, arquitetura fascinante e paisagens encantadoras, que muitas vezes passa despercebida pelos visitantes.

Nos últimos anos, tenho explorado o país de trem, descobrindo cidades que dificilmente entram em um roteiro tradicional. E algumas delas me marcaram tanto que merecem um destaque especial.

Hoje quero compartilhar três cidades que me surpreenderam positivamente e que eu recomendo incluir em qualquer viagem pela Alemanha.

Schwerin: o conto de fadas do norte da Alemanha

Schwerin fica no estado de Mecklenburg-Vorpommern, no extremo norte do país. Embora seja a capital estadual, não é a maior cidade da região — esse título pertence a Rostock, que já contei aqui no blog.

Meu principal motivo para visitar Schwerin era o famoso palácio da cidade. E que palácio!

O imponente palácio fica em uma pequena ilha cercada por lagos e parece ter saído diretamente de um livro de contos de fadas. Hoje, o edifício abriga o parlamento estadual, mas continua sendo uma das construções mais impressionantes que já visitei na Alemanha.

O que também me surpreendeu, porém, foi a cidade em si.

Schwerin é organizada, limpa e extremamente agradável para caminhar. É difícil explicar exatamente, mas alguns lugares transmitem uma sensação especial, e essa cidade foi um deles. Existe uma tranquilidade no ar, sem que ela pareça parada ou sem vida.

Outro detalhe que eu não esperava encontrar era a quantidade de lagos espalhados pela região. Antes da viagem, eu imaginava que existia apenas o lago ao redor do palácio, mas descobri vários outros que contribuem para a atmosfera relaxante da cidade.

Durante o passeio, também encontrei referências ao Petermännchen, uma pequena figura lendária considerada guardiã do castelo e que se tornou um dos símbolos locais.

Para quem está em Berlim, Schwerin é uma excelente opção de bate-volta mais longo ou de uma escapada de fim de semana. A viagem de trem regional leva cerca de três horas, tornando a cidade bastante acessível.

Quedlinburg: uma viagem para a Alemanha medieval

Se existe uma cidade capaz de transportar você diretamente para a Idade Média, essa cidade é Quedlinburg.

Localizada no estado de Saxony-Anhalt, Quedlinburg é considerada um dos conjuntos urbanos históricos mais bem preservados da Alemanha e recebeu o título de Patrimônio Mundial da UNESCO graças ao seu extraordinário conjunto arquitetônico.

A cidade possui mais de 2.000 casas em enxaimel preservadas, várias delas com centenas de anos de existência.

Caminhar por suas ruas é uma experiência fascinante. A cada esquina surge uma nova fachada histórica, uma praça charmosa ou um detalhe arquitetônico que chama atenção.

O que mais me impressionou foi perceber o cuidado dos moradores com a preservação do patrimônio. Muitas das construções históricas foram restauradas graças ao esforço conjunto de associações locais e da própria comunidade, criando um exemplo inspirador de conservação urbana.

Mesmo tendo visitado a cidade em um dia em que eu não estava me sentindo nada bem, saí de lá completamente encantada.

E existe um bônus: bem perto de Quedlinburg está Wernigerode, outra joia da região que já contei aqui no blog também.

Wernigerode também possui um belo centro histórico repleto de casas em enxaimel e abriga um castelo que parece saído de um filme. Se você estiver explorando essa parte da Alemanha, vale muito a pena combinar as duas cidades em uma única viagem.

Lübeck: a antiga rainha da Liga Hanseática

Das três cidades desta lista, a que mais me encantou foi Lübeck.

Localizada ao norte de Hamburg, Lübeck foi uma das cidades mais importantes da Europa medieval.

Ela era considerada a “Rainha da Liga Hanseática”, uma poderosa rede de cidades mercantis que dominou grande parte do comércio do norte europeu durante séculos.

Essa riqueza histórica ainda é visível em praticamente todos os cantos da cidade.

O centro histórico, cercado por canais, é um verdadeiro museu a céu aberto. Igrejas monumentais, edifícios medievais, ruas estreitas e praças históricas revelam a importância que Lübeck teve ao longo dos séculos.

A cidade também é conhecida como a “Cidade das Sete Torres”, em referência às torres de suas igrejas históricas, que dominam o horizonte urbano.

Um dos aspectos arquitetônicos mais marcantes é o chamado gótico de tijolos, estilo muito comum no norte da Alemanha. As construções em tijolo vermelho criam uma identidade visual única e tornam a cidade ainda mais fotogênica.

Entre os destaques da visita está o famoso Holstentor, antigo portão medieval que se tornou símbolo da cidade. É impossível não ficar impressionado ao vê-lo de perto.

Outro lugar que adorei conhecer foi a prefeitura histórica, uma das mais antigas da Alemanha.

E, claro, não dá para falar de Lübeck sem mencionar o marzipã. Embora a origem desse doce seja muito mais antiga e venha do Oriente Médio, foi em Lübeck que ele ganhou fama internacional. O chamado “Marzipã de Lübeck” possui proteção geográfica e segue padrões rigorosos de produção, tornando-se o produto mais tradicional da cidade.

Eu visitei Lübeck durante o inverno, em dias de bastante neblina. Mesmo assim, ela conseguiu me conquistar completamente. Agora já tenho uma desculpa perfeita para voltar durante os meses mais ensolarados.

Vale a pena sair do roteiro tradicional

Uma das coisas que mais gosto de explorar na Alemanha é justamente descobrir lugares que ainda não foram engolidos pelo turismo de massa.

Não tenho nada contra os destinos famosos — muitos deles realmente merecem a fama que têm. Mas existe algo especial em chegar a uma cidade sobre a qual você sabe pouco e ser surpreendida por sua história, arquitetura e atmosfera.

Foi exatamente isso que aconteceu comigo em Schwerin, Quedlinburg e Lübeck, e é isso que me move a continuar com meu projeto pessoal de visitar 100 cidades na Alemanha.

Se você está planejando uma viagem pela Alemanha e quer conhecer um lado menos óbvio do país, considere incluir alguma dessas cidades no seu roteiro. Tenho certeza de que elas podem render algumas das melhores lembranças da sua viagem.

E você? Já conhecia alguma delas? Qual cidade alemã menos famosa mais te surpreendeu?

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