Mitos e verdades sobre morar no exterior: o que ninguém te conta sobre a vida de imigrante

Se tem uma pergunta que escuto com frequência desde que vim morar na Alemanha é:

“Vale a pena morar no exterior?”

A resposta curta é: depende. A resposta longa é justamente este artigo.

Depois de três experiências vivendo fora do Brasil, a primeira na Alemanha durante um intercâmbio em 2012, a segunda na Itália enquanto fazia o reconhecimento da minha cidadania italiana e, agora, morando em Berlim há alguns anos, percebi que existe uma enorme diferença entre a imagem que muita gente cria da vida no exterior e a realidade.

As redes sociais mostram viagens, paisagens bonitas e cafés charmosos. Mas a vida do imigrante é muito maior do que isso.

Hoje quero compartilhar alguns dos maiores mitos e verdades sobre morar no exterior, baseados na minha própria experiência.

Mito 1: Quem mora na Europa fica rico

Esse talvez seja o maior de todos. Existe uma ideia de que basta desembarcar na Europa, começar a ganhar em euros e, automaticamente, sua vida financeira estará resolvida.

Infelizmente, não funciona assim. É verdade que os salários costumam ser maiores quando comparados ao Brasil. Mas existe um detalhe importante que muita gente esquece: você também passa a gastar em euros.

Aluguel, supermercado, transporte, seguro de saúde, impostos… tudo acompanha o custo de vida local. Claro que existem pessoas que conseguem excelentes oportunidades profissionais, mas essa está longe de ser a realidade da maioria dos imigrantes.

Na maior parte das vezes, você trabalha muito, economiza bastante e precisa aprender a administrar um orçamento completamente diferente daquele que tinha no Brasil.

Mito 2: Morar fora é viver viajando

Quem acompanha meu blog sabe que adoro viajar pela Alemanha. Mas existe uma diferença enorme entre viajar e morar em outro país.

Migrar não é fazer turismo. Migrar significa mudar toda a sua vida para outro lugar. Você precisa encontrar moradia, resolver documentação, abrir conta bancária, aprender burocracias, encontrar trabalho, estudar o idioma e reconstruir sua rotina.

É claro que morar na Europa facilita conhecer outros países, principalmente pelos voos baratos e pelas curtas distâncias. Mas isso não significa que todo imigrante passa os finais de semana viajando. Na prática, a maioria está ocupada tentando se estabilizar e seguir a vida normalmente.

Mito 3: A vida no exterior é puro glamour

Outro clássico. As redes sociais ajudam a criar uma imagem muito romantizada da imigração.

Fotos bonitas em Paris, Londres ou Roma não mostram o outro lado da história. Muita gente chega ao exterior com graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado e precisa aceitar trabalhos completamente diferentes da sua formação.

E isso não é vergonha nenhuma, é apenas parte do processo de recomeçar. Morar fora não transforma automaticamente sua vida em um filme europeu. A realidade costuma envolver muito esforço, adaptação e paciência. E muita gente que fica no Brasil não entende esse fato e acha que tudo é glamour só pelo fato de morar na Europa.

Mito 4: Todo mundo fala inglês

Esse foi um dos choques que tive, tanto na Alemanha quanto na Itália.Como turista, você provavelmente conseguirá se virar usando inglês. Mas morar é diferente.

No dia a dia você precisa:

  • conversar com médicos;
  • resolver burocracias;
  • entender contratos;
  • fazer compras;
  • falar com vizinhos;
  • lidar com órgãos públicos.

E nessas situações, o idioma local faz toda a diferença. Quando morei na Itália, em cidades como Pistoia e Prato, era comum encontrar pessoas que praticamente não falavam inglês.

Na Alemanha, mesmo em Berlim,considerada uma cidade bastante internacional, aprender alemão fez uma enorme diferença para meu dia a dia.

Hoje tenho ainda mais certeza de que aprender idiomas é um dos maiores investimentos que qualquer futuro imigrante pode fazer. Eu estudo com o clube de Alemão, aulas online explicadas em português que você assiste no seu ritmo.

Mito 5: Ter diploma brasileiro garante emprego

Infelizmente, não. Cada profissão possui regras diferentes. Algumas exigem reconhecimento do diploma, outras exigem licenças específicas.

Em algumas áreas, como tecnologia, o mercado costuma ser mais flexível. Já em profissões regulamentadas, como arquitetura (minha área de formação), enfermagem, engenharias,  o caminho costuma ser mais longo.

Eu mesma passei (e ainda passo) por esse processo de adaptação profissional.Aprendi que experiência ajuda muito, mas dominar o idioma local costuma abrir muito mais portas.

Verdade 1: Morar fora é recomeçar praticamente do zero

Essa talvez seja a maior verdade de todas. Quando você migra, dificilmente continua exatamente de onde parou.

Você monta uma nova casa, compra móveis novamente, aprende um novo sistema de transporte. Descobre como funciona a saúde, os bancos, os impostos e toda uma burocracia diferente.

Muitas vezes também precisa reconstruir sua carreira. É um recomeço em praticamente todos os aspectos da vida.

Verdade 2: Sua carreira pode mudar completamente

Nem sempre você consegue exercer sua profissão logo que chega. Algumas pessoas conseguem, outras precisam aceitar empregos temporários enquanto aprendem o idioma ou validam seus diplomas.

E está tudo bem. Não significa fracasso, significa adaptação.

Eu mesma precisei reinventar parte da minha trajetória profissional enquanto continuo buscando oportunidades na área de arquitetura. É um caminho que exige humildade, persistência e muita paciência.

Verdade 3: Nem todo mundo vai apoiar sua decisão

Esse é um assunto sobre o qual quase ninguém fala. Quando você decide morar fora, algumas pessoas comemoram, outras não entendem, e algumas simplesmente discordam.

Às vezes isso acontece até dentro do círculo de amigos ou da própria família. Felizmente, sempre tive muito apoio da minha família. Mas também vivi situações em que amizades acabaram esfriando justamente porque algumas pessoas não compreendiam minha decisão de recomeçar em outro país.

Nem todos vão entender os seus sonhos. Importante ter paciência e entender que isso faz parte do processo

Verdade 4: A solidão faz parte da imigração

Essa é, provavelmente, uma das partes mais difíceis. Você deixa para trás:

  • família;
  • amigos;
  • aniversários;
  • datas especiais;
  • aquela rede de apoio construída durante anos.

No novo país, tudo precisa ser reconstruído. Fazer amigos leva tempo, criar conexões exige esforço. Aprender uma nova cultura também.

Existem fases em que a saudade pesa bastante. E isso acontece com muito mais pessoas do que imaginamos. Por isso, sempre digo que cuidar da saúde mental também faz parte da experiência de morar fora.

Verdade 5: Dá medo. Muito medo.

Mesmo quando você planeja tudo. Mesmo quando faz intercâmbio. Mesmo quando já morou fora antes.

Sempre existe medo. Medo de não dar certo. Medo de não conseguir emprego. Medo de sentir saudades. Medo de errar.

O medo faz parte da mudança. O importante é não permitir que ele seja maior do que o seu sonho.

O que aprendi depois de três experiências morando fora

Se existe uma lição que a imigração me ensinou é que morar no exterior não é melhor nem pior do que viver no Brasil. É apenas diferente.

Existem vantagens incríveis, existem dificuldades enormes. Existem dias em que tudo parece ter valido a pena, e existem dias em que a saudade aperta.

A imigração não resolve todos os problemas da vida, mas ela nos transforma profundamente. Hoje olho para trás e vejo que cada recomeço me tornou uma pessoa mais resiliente, mais paciente ( e impaciente para certas coisas) e muito mais aberta para conhecer novas culturas e novas formas de enxergar o mundo.

Talvez essa seja a maior riqueza que morar fora pode oferecer.

Continue acompanhando minha jornada

Aqui no Apenas Minha Jornada, compartilho de forma sincera como é viver na Alemanha, além de mostrar cidades pouco conhecidas, arquitetura, história, viagens e o lado real da vida de imigrante.

Se você está pensando em morar no exterior ou simplesmente gosta desse universo, aproveite para explorar outros artigos do blog sobre:

Porque, no fim das contas, esta jornada nunca é apenas sobre mudar de país. É sobre descobrir uma nova versão de nós mesmos.

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